Pensando sobre texturas
- Luis Felipe dos Santos Kemmerich
- 6 de mar. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 6 de mar. de 2023
Uma análise de artistas que usam texturas em suas composições.
A textura, na experiência visual, equivale ao nosso sentido de tato. Pensando na qualidade representacional, através desse elemento visual é possível identificar materiais diferentes. Graficamente, de maneira mais abstrata, textura pode ser dita como uma concentração de contrastes em uma área, que respeitam um determinado padrão, alguma unidade em comum.
Essa unidade pode ser praticamente qualquer coisa que o artista desejar: tijolos, grãos, folhas, pessoas, galinhas... Assim, temos um potencial muito grande de possibilidades.
Essa unidade pode ser praticamente qualquer coisa que o artista desejar: tijolos, grãos, folhas, pessoas, galinhas... Assim, temos um potencial muito grande de possibilidades. No post de hoje gostaria de compartilhar alguns artistas que gosto muito e que evidenciam as aplicabilidades da ideia de textura.

Alternando tamanhos e os espaços entre as marcas de textura, Annie Ovenden muda o tom de áreas delimitadas, fazendo o olho se movimentar em busca de novos contrastes pela peça. A impressão que me causa é que Ovenden intencionalmente cria formas simples para um visual icônico que "carimba" a imagem na nossa mente, facilitando a leitura em um primeiro momento, mas são as texturas que seguram o olhar. Através destas variações e transições contidas nas grandes formas o observador tende à passar mais tempo apreciando a obra, divertindo-se com o reconhecimento de silhuetas e detalhes no meio das texturas.

Já Hiroshi Nagai separa objetos e regiões diferentes com texturas contrastantes, sem grandes alterações de tom e marcas dentro das formas que as contém, contribuindo para o caráter estático e contemplativo da composição. Aqui as texturas se contrapõe com formas mais lisas, gerando tensão entre as partes, o que mutuamente acaba reforçando suas presenças. A imagem possui intensidade e parte disso se deve à esse tipo de contraste.
É fácil lembrar de Gustav Klimt pelo uso de padrões abstratos/decorativos em seus retratos. Porém, Klimt também possui um trabalho de paisagens. Em Birch Forest ele quebra com a sensação de um espaço descritivo, que segue regras de perspectiva. Klimt usa texturas que, embora distintas nas suas unidades, apresentam densidades semelhantes. Isso faz com que objetos pareçam estar sempre a uma mesma distância, mesmo que na pintura existam referências ao efeito de diminuição.

Os outros trabalhos que postei de Klimt tem como constante a exaltação da textura, claramente evidenciada pela área que ocupa. Aqui ela vai do descritivo ao abstrato em uma mesma peça.
Espero que o post tenha ajudado a inspirar novas formas de utilizar textura na sua arte. Este é um tópico que desenvolvo mais à fundo no meu curso de composição. Até mais!





























